Textos para Interpretar

Texto 12

 

 

 

 

1º. O Brasil foi jogar bola no Haiti e isso não teve nada a ver com preparação para a próxima Copa. Quem estava em campo era a diplomacia. Para comprovar, basta ver a cobertura da televisão: em vez da Fifa, era a ONU que aparecia nas imagens. No lugar do centroavante, era o presidente do país que atraía a atenção dos repórteres. Não foi a primeira nem será a última vez em que futebol e política se misturaram. É por causa dessa proximidade que alguns estudiosos olham para o gramado e enxergam um retrato perfeito da sociedade. A bola está na moda entre os analistas políticos.


2º Se 22 jogadores em campo podem resumir o mundo, surge então a dúvida: por que justamente o futebol, e não o cinema ou a literatura? “A arte sempre será produto da imaginação de uma pessoa. O futebol é parte da comunidade, da economia, da estrutura política. É um microcosmo singular”, diz um jornalista americano. Não apenas singular, mas global. É o esporte mais popular do planeta. Uma fama, aliás, que tem razões pouco esportivas. “O futebol nasceu na Inglaterra numa época em que os ingleses tinham um império e viajavam por muitos países. Ferroviários levaram a bola para a América do Sul, petroleiros para o Oriente Médio”, acrescenta ele.


3º. Mas é preciso não confundir o papel do esporte. Ele faz entender, mas não muda o mundo. “Não se trata de uma força revolucionária capaz de transformar uma nação. É apenas um enorme espelho que reflete a sociedade em que vivemos”, diz outro especialista.


4º. Em 1990, quando o Brasil, sob a tutela de Sebastião Lazzaroni, foi eliminado da Copa, o presidente era Fernando Collor. Além de contemporâneos, eles foram ícones de uma onda que varreu o país na virada da década: a febre dos importados. Era uma fase em que se idolatrava o que vinha de fora – a solução dos problemas estava no exterior. Motivos existiam: com o mercado fechado aos importados, a indústria estava obsoleta e pouco competitiva. O estilo futebol-arte da seleção, por sua vez, completava 20 anos de frustrações em Copas. Collor e Lazzaroni bancaram o risco. Enquanto o presidente prometia revolucionar a economia com tecnologia estrangeira, o treinador se inspirou numa tática européia, colocou um líbero em campo e a seleção jogou na retranca. O resultado todos conhecem.


(Gwercman, Sérgio. Como o futebol explica o mundo. Superinteressante, São Paulo, num.205, p. 88 e 90, out. 2004. Com adaptações)


1. TRE-RN - Técnico Judiciário - Op Computador - Julho/2005

A frase que sintetiza o assunto do texto é:

(A) O esporte pode mudar os rumos da diplomacia internacional.
(B) A transmissão pela televisão valoriza uma competição esportiva.
(C)) O futebol pode ser visto como reflexo do mundo e da sociedade.
(D) A mistura de futebol e política é vista com desconfiança por analistas.
(E) É necessária a influência da tática estrangeira no futebol brasileiro.

2. TRE-RN - Técnico Judiciário - Op Computador - Julho/2005

A resposta correta para a questão que aparece no início do 2º parágrafo está na seguinte afirmativa:


(A) A arte, sendo produto da imaginação, é abstrata, enquanto um jogo de futebol é real.
(B) O cinema e a literatura podem tomar o futebol como tema para filmes ou para livros.
(C) São diferentes os objetivos de um público interessado em futebol e os dos que freqüentam cinemas ou bibliotecas.
(D) O futebol pode aceitar interferências de analistas, ao contrário da arte, que é única e pessoal.
(E)) O futebol, sendo múltiplo, reflete toda a estrutura social, enquanto a arte resulta de uma criação individual.


3. TRE-RN - Técnico Judiciário - Op Computador - Julho/2005


O último parágrafo do texto se desenvolve como
(A) censura à utilização, como instrumento político, de um evento esportivo bastante popular em todo o mundo.
(B) exemplo que ilustra e comprova a opinião do especialista, que vem reproduzida no parágrafo anterior.
(C) manifestação de que o futebol se espalhou por todo o mundo, por ser também uma das formas da arte.
(D) prova de que uma partida de futebol é capaz de alterar os rumos da política externa, apesar de opiniões contrárias de especialistas.
(E) defesa da avançada visão tática de um treinador da seleção, tentando modernizar o futebol brasileiro.


4. TRE-RN - Técnico Judiciário - Op Computador - Julho/2005


Quem estava em campo era a diplomacia. (1º parágrafo) O que justifica a afirmativa acima está:
(A) na maneira como o evento foi transmitido pela televisão, com ênfase na presença de figuras políticas.
(B) no fato de o Brasil ter sido compelido a jogar num país tão longínquo e politicamente inexpressivo.
(C) na semelhança socioeconômica entre Brasil e Haiti, que buscam o reconhecimento político dos países desenvolvidos.
(D) no objetivo de chamar a atenção para a próxima Copa do Mundo, em evento transmitido internacionalmente.
(E) na falta de compromisso dos participantes, principalmente jogadores, com a preparação para a próxima Copa.




5. TRE-RN - Técnico Judiciário - Op Computador - Julho/2005


"Uma fama, aliás, que tem razões pouco esportivas".
 (meio do 2º parágrafo)
É correto afirmar, considerando-se o contexto, que a frase transcrita acima


(A) assinala o fato de que trabalhadores de diversas áreas podem tornar-se mundialmente famosos jogadores de futebol.
(B) considera que o futebol não é propriamente um esporte, apesar da fama que o acompanha em todo o mundo.
(C) confirma a opinião do jornalista americano de que um esporte de origem nobre tem poucas razões para ser famoso.
(D)) atribui a expansão do futebol no mundo todo muito mais à atividade comercial dos ingleses do que à preocupação com o esporte.
(E) critica, de maneira sutil, a preocupação de analistas em valer-se do esporte para tentar mudar a situação política de certos países.

6. TRE-RN - Técnico Judiciário - Op Computador - Julho/2005


Não apenas singular, mas global. (meio do 2o parágrafo).


Considere o que diz o Dicionário Houaiss da língua portuguesa a respeito dos vocábulos grifados na frase acima.


singular: 1. único de sua espécie; distinto; ímpar; 3. fora do comum; admirável, notável, excepcional; 4. não usual; inusitado, estranho, diferente; 6. que causa surpresa; surpreendente, espantoso; extravagante, bizarro.

global: 1. relativo ao globo terrestre; mundial; 2. que é tomado ou considerado no todo, por inteiro ; 3. a que nada falta; integral, completo, total.

O sentido mais próximo dessas palavras está representado, respectivamente, em

(A) 1 e 3.
(B) 3 e 1.
(C) 6 e 2.
(D) 4 e 3.
(E) 6 e 1.



7. TRE-RN - Técnico Judiciário - Op Computador - Julho/2005

".... eles foram ícones de uma onda que varreu o país na virada da década: a febre dos importados". (último parágrafo)

O emprego dos dois pontos assinala, no contexto, a introdução de

(A) uma restrição à afirmativa anterior.
(B) uma repetição para realçar o assunto desenvolvido.
(C)) um segmento que explica a frase anterior.
(D) a enumeração dos fatos mais importantes da época.
(E) a citação exata de uma opinião exposta anteriormente.

8. TRE-RN - Técnico Judiciário - Op Computador - Julho/2005

Considerando-se o emprego de pronomes no texto, grifados nos segmentos abaixo, a ÚNICA afirmativa INCORRETA é:

(A) e
 isso não teve nada a ver − o pronome demonstrativo vale pela frase: O Brasil foi jogar bola no Haiti.
(B)
 dessa proximidade – o pronome retoma a idéia da mistura entre futebol e política.
(C)
 alguns estudiosos – o pronome indefinido limita o número dos que compartilham a mesma opinião.
(D)
 Ele faz entender – o pronome substitui o termo o esporte, para evitar repeti-lo.
(E) de uma onda
 que varreu o país – o pronome refere-se a país.



9. TRE-RN - Técnico Judiciário - Op Computador - Julho/2005

A concordância está correta APENAS na frase:

(A) Os que estavam em campo era os assuntos diplomáticos.
(B) A cobertura dos jogos mostravam as imagens das principais autoridades.
(C) Não se tratam de forças revolucionárias capazes de transformar uma nação.
(D) Jogos de futebol podem ser vistos como um enorme espelho que reflete a sociedade.
(E) Uma partida entre 22 jogadores podem ser considerados um reflexo da comunidade.

10. TRE-RN - Técnico Judiciário - Op Computador - Julho/2005

O futebol reflete mudanças na sociedade.
Em várias ocasiões, em diversos países, futebol e política se misturaram.
O futebol é parte da comunidade, da economia, da estrutura política.

As três frases acima estruturam-se num único período, com lógica, clareza e correção, da seguinte maneira:

(A) O futebol, por ser parte da comunidade, da economia e da estrutura política, reflete mudanças na sociedade, tendo havido várias ocasiões, em diversos países, em que futebol e política se misturaram.
(B) O futebol reflete mudanças na sociedade, onde em muitas ocasiões, sendo no entanto parte da comunidade, da economia, da estrutura política nos diversos países, futebol e política se misturaram.
(C) O futebol que em várias ocasiões, em diversos países, se misturaram com a política, ele é reflexo de mudanças na sociedade, cujo futebol é parte da comunidade, da economia, da estrutura política.
(D) O futebol, cuja parte da comunidade, da economia, da estrutura política, reflete mudanças na sociedade em várias ocasiões, em diversos países, que futebol e política misturaram-se.

(E) Em várias ocasiões, em diversos países, que futebol e política se misturaram, ele vem sendo parte da comunidade, da economia, da estrutura política, conquanto que reflete mudanças na sociedade.



GABARITO


1 C // 2 E // 3 B // 4 A // 5 D // 6 B // 7 C // 8 E // 9 D // 10 A

Texto 11


 

 


A indiferença da natureza


 

Eu me lembro do choque e da irritação que sentia, quando criança, ao assistir a documentários sobre a violência do mundo animal; batalhas mortais entre escorpiões e aranhas, centenas de formigas devorando um lagarto ainda vivo, baleias assassinas atacando focas e pingüins, leões atacando antílopes etc. Para finalizar, apareciam as detestáveis hienas, “rindo” enquanto comiam os restos de algum pobre animal.
Como a Natureza pode ser assim tão cruel e insensível, indiferente a tanta dor e sofrimento? (Vou me abster de falar da dor e do sofrimento que a espécie dominante do planeta, supostamente a de maior sofisticação, cria não só para os animais, mas também para si própria.) Certos exemplos são particularmente horríveis: existe uma espécie de vespa cuja fêmea deposita seus ovos dentro de lagartas. Ela paralisa a lagarta com seu veneno, e, quando os ovos chocam, as larvas podem se alimentar das entranhas da lagarta, que assiste viva ao martírio de ser devorada de dentro para fora, sem poder fazer nada a respeito. A resposta é que a Natureza não tem nada a dizer sobre compaixão ou ética de comportamento. Por trás dessas ações assassinas se esconde um motivo simples: a preservação de uma determinada espécie por meio da sobrevivência e da transmissão de seu material genético para as gerações futuras. Portanto, para entendermos as intenções da vespa ou do leão, temos que deixar de lado qualquer tipo de julgamento sobre a “humanidade” desses atos. Aliás, não é à toa que a palavra humano, quando usada como adjetivo, expressa o que chamaríamos de comportamento decente. Parece que isentamos o resto do mundo animal desse tipo de comportamento, embora não faltem exemplos que mostram o quanto é fácil nos juntarmos ao resto dos animais em nossas ações “desumanas”.
A idéia de compaixão é puramente humana. Predadores não sentem a menor culpa quando matam as suas presas, pois sua sobrevivência e a da sua espécie dependem dessa atividade. E dentro da mesma espécie? Para propagar seu DNA, machos podem batalhar até a morte por uma fêmea ou pela liderança do grupo. Mas aqui poderíamos também estar falando da espécie humana, não?
(Marcelo Gleiser, Retalhos cósmicos. S.Paulo: Companhia das Letras, 1999, pp. 75-77)




1. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


Conforme demonstram as afirmações entre parênteses, o autor confere em seu texto estas duas acepções distintas ao termo indiferença, relacionado à Natureza:
(A) crueldade (indiferente a tanta dor e sofrimento) e generosidade (o que chamaríamos de comportamento decente).
(B) hipocrisia (por trás dessa ações assassinas se esconde um motivo simples) e inflexibilidade (predadores não sentem a menor culpa).
(C)) impiedade (indiferente a tanta dor e sofrimento) e alheamento (não tem nada a dizer sobre compaixão ou ética de comportamento).
(D) isenção (isentamos o resto do mundo animal desse tipo de comportamento) e pretexto (para propagar seu DNA).
(E) insensibilidade (sua sobrevivência e a da sua espécie dependem dessa atividade) e determinação (indiferente a tanta dor e sofrimento).


2. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


Considere as afirmações abaixo.


I. Os atributos relacionados às hienas, no primeiro parágrafo, traduzem nossa visão “humana” do mundo natural.
II. A pergunta que abre o segundo parágrafo é respondida com os exemplos arrolados nesse mesmo parágrafo.
III. A frase A idéia de compaixão é puramente humana é utilizada como comprovação da tese de que a natureza é cruel e insensível.


Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em:


(A)) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) I e III.




3. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


Considerando-se o choque e a irritação que o autor sentia, quando criança, com as cenas de crueldade do mundo animal, percebe-se que, com o tipo de argumentação que desenvolve em seu texto, ele pretende:


(A) justificar sua tolerância, no presente, com a crueldade que efetivamente existe no mundo natural.
(B)) se valer da ciência adquirida, para fazer compreender como natural a violência que efetivamente ocorre na Natureza.
(C) se valer da ciência adquirida, para justificar a crueldade como um recurso necessário à propagação de todas as espécies.
(D) justificar suas intolerâncias de menino, reações naturais diante da efetiva crueldade que se propaga pelo mundo animal.
(E) se valer da ciência adquirida, para apresentar a hipótese de que os valores morais e éticos contam muito para o funcionamento da Natureza.




4. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


Quanto à concordância verbal, está inteiramente correta a seguinte frase:


(A) De diferentes afirmações do texto podem-se depreender que os atos de grande violência não caracterizam apenas os animais irracionais.
(B) O motivo simples de tantos atos supostamente cruéis, que tanto impressionaram o autor quando criança, só anos depois se esclareceram.
(C) Ao longo dos tempos tem ocorrido incontáveis situações que demonstram a violência e a crueldade de que os seres humanos se mostram capazes.
(D) A todos esses atos supostamente cruéis, cometidos no reino animal, aplicam-se, acima do bem e do mal, a razão da propagação das espécies.
(E)) Depois de paralisadas as lagartas com o veneno das vespas, advirá das próprias entranhas o martírio das larvas que as devoram inapelavelmente.


5. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


NÃO admite transposição para a voz passiva o seguinte segmento do texto:


(A) centenas de formigas devorando um lagarto.
(B)) ao assistir a documentários sobre a violência do mundo animal.
(C) uma espécie de vespa cuja fêmea deposita seus ovos dentro de lagartas.
(D) Predadores não sentem a menor culpa.
(E) quando matam as suas presas.


6. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


Está inteiramente adequada a articulação entre os tempos verbais na seguinte frase:
(A) Predadores não sentirão a menor culpa a cada vez que matarem uma presa, pois sabem que sua sobrevivência sempre dependerá dessa atividade.
(B) Se predadores hesitassem a cada vez que tiveram de matar uma presa, terão posto em risco sua própria sobrevivência, que depende da caça.
(C) Nunca faltarão exemplos que deixassem bem claro o quanto é fácil que nos viessem a associar aos animais, em nossas ações “desumanas”.
(D) Por trás dessas ações assassinas sempre houve um motivo simples, que estará em vir a preservar uma determinada espécie quando se for estar transmitindo o material genético.


(E) Ao paralisar a lagarta com veneno, a vespa terá depositado seus ovos nela, e as larvas logo se alimentariam das entranhas da lagarta, que nada poderá ter feito para impedi-lo.


7. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


Temos que deixar de lado qualquer tipo de julgamento sobre a “humanidade” desses atos. O segmento sublinhado no período acima pode ser corretamente substituído, sem prejuízo para o sentido, por:


(A) nos isentarmos a.
(B) nos eximir para.
(C)) nos abster de.
(D) subtrair-nos em
(E) furtar-nos com.


8. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


Está inteiramente correta a pontuação do seguinte período:


(A) Paralisada pelo veneno da vespa nada pode fazer, a lagarta, a não ser assistir viva à sua devoração, pelas larvas, que saem dos ovos ali chocados.


(B) Nada pode fazer, a lagarta paralisada, pelo veneno da vespa, senão assistir viva, à sua devoração pelas larvas que saem dos ovos, e passam a se alimentar, das entranhas da vítima.
(C) A pobre lagarta, paralisada pelo veneno da vespa assiste sem nada poder fazer, à sua devoração pelas larvas, tão logo saiam estas dos ovos, que, a compulsória hospedeira, ajudou a chocar.
(D) Compulsória hospedeira, paralisada pelo veneno da vespa, a pobre lagarta assiste à devoração de suas próprias entranhas pelas larvas, sem poder esboçar qualquer tipo de reação.
(E) Sem qualquer poder de reação, já que paralisada pelo veneno da vespa a lagarta, compulsoriamente, chocará os ovos, e depois se verá sendo devorada, pelas larvas que abrigou em suas entranhas.


9. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de SistemJulho/2005


Atente para as frases abaixo.


I. Quando criança assistia a documentários sobre a vida selvagem.
II. Tais documentários me irritavam.
III. Nesses documentários exibiam-se cenas de extrema violência.


Essas frases estão articuladas de modo correto e coerente no seguinte período:


(A) Irritavam-me aqueles documentários sobre a vida selvagem que assisti quando criança, nos quais continham cenas que exibiam extrema violência.
(B) Naqueles documentários sobre a vida selvagem, a que quando criança assistia, me irritava, conquanto exibissem cenas de extrema violência.
(C) Uma vez que exibiam cenas de extrema violência, irritava-me com aqueles documentários sobre a vida selvagem, assistidos quando criança.
(D) As cenas de extrema violência me irritavam, quando criança, por assistir tais documentários sobre a vida selvagem, em que eram exibidas.
(E) Os documentários sobre a vida selvagem, a que assistia quando era criança, irritavam-me porque neles eram exibidas cenas de extrema violência.




10 . TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de SistemJulho/2005


Há uma relação de causa (I) e conseqüência (II) entre as ações expressas nas frases destacadas em:


(A) I. Para entendermos as intenções da vespa, II. temos que deixar de lado qualquer tipo de julgamento.
(B) I. Para finalizar, II. apareciam as detestáveis hienas.
(C) I. Isentamos o resto do mundo animal desse tipo de comportamento,
II. embora não faltem exemplos que mostram o quanto é fácil nos juntarmos ao resto dos animais.
(D) I. as larvas podem se alimentar das entranhas da lagarta, II. que assiste viva ao martírio de ser devorada de dentro para fora.
(E) I. Predadores não sentem a menor culpa, II. quando matam as suas presas.




11. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


Está correto o emprego de
 ambos os elementos sublinhados em:


(A) O autor se pergunta
 por que haveriam de ser cruéis os animais que aspiram àpropagação da espécie.
(B) Quando investigamos o
 por quê da suposta crueldade animal, parece de que nos esquecemos da nossa efetiva crueldade.
(C)
 À lagarta, de cujo ventre abriga os ovos da vespa, só caberá assistir ao martírio de sua própria devoração.
(D) Se a ideia de compaixão é puramente humana, não há
 porque imputarmos nosanimais qualquer traço de crueldade.
(E) Os bichos
 a cujos atribuímos atos cruéis não fazem senão lançar-se na luta pela sobrevivência.


12. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


O emprego das aspas em “rindo” (primeiro parágrafo) deve-se ao fato de que o autor deseja


(A) remeter o leitor ao sentido mais rigoroso que essa palavra tem no dicionário.
(B) chamar a atenção para a impropriedade da aplicação desse termo, no contexto dado.
(C) dar ênfase, tão-somente, ao uso dessa palavra, como se a estivesse sublinhando ou destacando em negrito.
(D) assinalar o emprego despropositado de um termo que a ninguém, habitualmente, ocorreria utilizar.
(E) precisar o sentido contrário, a significação oposta à que o termo tem no seu emprego habitual.


13. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do
 plural para preencher corretamente a lacuna da frase:


(A) Não se ...... (atribuir) às lagartas a crueldade dos humanos, por depositarem os ovos no interior das vespas.
(B) O que ...... (impelir) os animais a agirem como agem são seus instintos herdados, e não uma intenção cruel.
(C) Não se ...... (equiparar) às violências dos machos, competindo na vida selvagem, a radicalidade de que é capaz um homem enciumado.
(D) ...... (caracterizar-se), em algumas espécies animais, uma modalidade de violência que interpretamos como crueldade.
(E) ...... (ocultar-se) na ação de uma única vespa os ditames de um código genético comum a toda a espécie.


14. TRE-RN - Analista Judiciário - Análise de Sistemas - Julho/2005


Considerando-se o contexto, o elemento sublinhado pode ser substituído pelo que está entre parênteses, sem prejuízo para o sentido e a correção da frase, em:


(A)
 Por trás dessas ações assassinas se esconde um motivo simples. (Nessas ações assassinas infiltra- se)
(B) Apareciam as detestáveis hienas, “rindo” enquanto comiam os restos
 de algum pobre animal. (à medida em que devoravam os detritos)
(C) A ideia de compaixão é
 puramente humana. (restringe-se à espécie humana)
(D) Sua sobrevivência e a da sua espécie
 dependem dessa atividade. (são  permeáveis a tais iniciativas)
(E) A Natureza
 não tem nada a dizer sobre compaixão ou ética de comportamento. (dissimula seu interesse por)

 

 

Gabarito:


1C // 2A //3 B // 4 E // 5 B // 6 A // 7 C // 8 D // 9 E // 10 D // 11 A // 12 B // 13 E // 14 C //

Texto 10

 

 

 

Os Jogos Olímpicos são um desafio ao bom senso. Tome-se o arremesso do martelo. Terem inventado que tal coisa é uma atividade digna de ser praticada, digna de ser chamada de “esporte” e, para culminar, digna de figurar entre as modalidades olímpicas mostra como são instigantes os caminhos que a mente humana é capaz de percorrer. Tome-se o salto com vara. Por que saltar com vara? É outra invenção que só pode ser atribuída à tendência da mente humana em fugir do que é natural e razoável. E a corrida com barreiras? E o salto triplo? A rigor seria até dispensável o trabalho de selecionar uma ou outra modalidade. O esporte como um todo, e em especial a mania de superação que contamina seus praticantes, já repousaria sobre a premissa absurda de contrariar o prazer do sossego e do repouso.

Todo o universo atlético ganha um sentido, no entanto, quando nos damos conta de que ali se reencena a luta humana pela sobrevivência. A corrida tem sua origem na fuga das feras ou dos grupos rivais; a corrida com obstáculos, na dificuldade de superar os charcos, os barrancos e os espinheiros; o salto em distância, na ultrapassagem dos riachos; o salto em altura, na tentativa de alcançar os frutos no alto das árvores. Até o salto com vara ganha uma lógica: é o momento em que o homem primitivo se torna capaz de inventar ferramentas para superar os obstáculos impostos pela natureza. E o arremesso do martelo, assim como o do disco e o do dardo, visita a quadra em que o homem criou as armas para substituir os próprios punhos na caça e no enfrentamento dos inimigos.
Os Jogos Olímpicos miram na Grécia e acertam na pré -história. São uma releitura da Idade da Pedra. Ou melhor: uma parte dos Jogos. Os esportes com bola pertencem a outro capítulo da história da humanidade. Se nossos ancestrais demoraram tanto para inventar a roda, demoraram ainda mais para chegar à bola. A bola tem como principal característica uma esplendorosa inutilidade. É um brinquedo. As modalidades do atletismo lembram as sofridas necessidades da subsistência, na era em que a espécie procurava se consolidar sobre o planeta – fugir, comer, enfrentar o inimigo, contornar os obstáculos, conquistar a fêmea. Já a bola se notabiliza pela ausência de função nas lides pela sobrevivência. Por isso mesmo representa a conquista de um novo patamar, de inestimável valor, na escala da evolução: o patamar da diversão.
Consolidada e confiante em si mesma, a espécie permite-se o luxo de brincar. O arremesso do martelo, mesmo não sendo mais com
martelo, continua assustador. Haja músculo, para atirar aquela bola de ferro. Haja peso, para dar os rodopios que precedem seu lançamento. É uma atividade que pode causar admiração pela força, nunca pela astúcia. Já os passes no futebol ou as levantadas do vôlei mostram que, nos esportes com bola, a força é temperada, e às vezes até substituída, pela habilidade. O martelo pode até causar assombro, mas nunca provocará um sorriso. Já o drible, no futebol e no basquete, ou a “largada” no vôlei, manobras cujo objetivo é enganar o adversário, representam a intromissão do humor na competição. Do martelo à bola, desenha-se um percurso em cujo ponto de chegada a ênfase está menos nos músculos do que no uso da massa cinzenta alojada no cocuruto do animal humano.

(Roberto Pompeu de Toledo. Veja. 27 de agosto de 2008,
p.170, com adaptações)


1. Segundo o autor,
(A) a qualificação de “esporte” atribuída a certas modalidades
disputadas nos Jogos Olímpicos não se
justifica mais nas condições da vida moderna.
(B) a interferência do humor nas competições esportivas
gera desrespeito aos competidores mais fracos, desestimulando
o espírito olímpico.
(C) algumas explicações para a presença de determinadas
modalidades esportivas nos Jogos Olímpicos
se encontram na própria história da humanidade.
(D) a seriedade que sempre envolveu a realização dos
Jogos Olímpicos pode ser comprometida por
atitudes anti-esportivas em certas modalidades.
(E) as modalidades em que sobressai a força física dos
atletas, embora possam causar estranheza, são
preferíveis aos esportes com bola, que estimulam a
brincadeira.

2. Considere as afirmativas abaixo:
I. A prática de certas modalidades esportivas, que se
mantêm tradicionalmente, apenas vem confirmar
que nem sempre há explicações lógicas para as
atitudes humanas.
II. As diversas modalidades esportivas tradicionalmente
agrupadas nos Jogos Olímpicos apontam para
as necessidades básicas da história da humanidade.
III. A associação do uso da inteligência ao preparo
físico dos atletas denota um degrau superior na
linha evolutiva do homem.
Está correto o que se afirma em
(A) I, apenas.
(B) III, apenas.
(C) I e II, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.

3. Os Jogos Olímpicos são um desafio ao bom senso.
É correto afirmar, a partir da observação acima:
(A) A ressalva − Todo o universo atlético ganha um
sentido, no entanto − garante a coerência entre a
frase que inicia o texto e o desenvolvimento, até a
conclusão final.
(B) O desenvolvimento do texto lhe acrescenta uma
conclusão de certa forma incoerente, ao afirmar que
há um percurso em cujo ponto de chegada a ênfase
está menos nos músculos do que no uso da massa
cinzenta.
(C) A opinião inicial, desfavorável à manutenção de certas
modalidades esportivas que mostram como são
instigantes os caminhos que a mente humana é capaz
de percorrer, garante a unidade de todo o desenvolvimento
textual.
(D) A afirmativa faz sentido até o último parágrafo, em
que o autor se vale do mesmo tipo de linguagem
crítica quando se refere às manobras cujo objetivo é
enganar o adversário e que representam a intromissão
do humor na competição.
(E) Para o autor, a realização dos Jogos Olímpicos na
época contemporânea perdeu sentido, tanto por
terem se transformado em um espetáculo grandioso
de força e poder, quanto por serem uma releitura da
Idade da Pedra.

4. O texto se desenvolve como
(A) condenação generalizada a algumas modalidades
dos Jogos Olímpicos, por exigirem esforço físico
além das possibilidades do ser humano.
(B) censura indireta aos responsáveis pela realização
dos Jogos Olímpicos por manterem neles certas modalidades
que nada têm de esportivas.
(C) elogio à maneira moderna de realização dos Jogos
Olímpicos, em que se incluíram modalidades mais
recentes, com bola, em meio às mais antigas.
(D) apresentação, do início até hoje, de informações baseadas
em dados históricos a respeito da origem e
desenvolvimento dos Jogos Olímpicos.
(E) considerações a respeito das modalidades em
disputa nos Jogos Olímpicos, correlacionando-os à
linha evolutiva da humanidade.

5. Como inferência, o ditado popular que pode ser aplicado
ao conteúdo do 3o e do 4o parágrafos é:
(A) Nem só de pão vive o homem.
(B) Quem ama o feio, bonito lhe parece.
(C) Nem tudo que reluz é ouro.
(D) Deus dá o frio conforme o cobertor.
(E) Quem espera sempre alcança.

6. Considerando-se o contexto, o segmento cujo sentido está
corretamente transcrito em outras palavras é:
(A) como são instigantes os caminhos = caso sejam
possíveis os meios.
(B) fugir do que é natural e razoável = desconsiderar
problemas mais graves.
(C) mania de superação = insistência na obtenção de
melhores resultados.
(D) nas lides pela sobrevivência = nos rumos de uma
vida melhor.
(E) a conquista de um novo patamar = uma premiação
além do esforço empregado.

 

GABARITO:

001 - C 

002 - D 

003 - A 

004 - E 

005 - A 

006 - C

 

 

Texto 9


 

Brasileiro se realiza em arte menor. Com raras exceções aqui e ali na literatura, no teatro ou na música erudita, pouco temos a oferecer ao resto do mundo em matéria de grandes manifestações artísticas. Em compensação, a caricatura ou a canção popular, por exemplo, têm sido superlativas aqui, alcançando uma densidade raramente obtida por nossos melhores artistas plásticos ou compositores sinfônicos. Outras artes, ditas “menores”, desempenham um papel fundamental na cultura brasileira. É o caso da crônica e da telenovela. Gêneros inequivocamente menores e que, no entanto, alcançam níveis de superação artística nem sempre observada em seus congêneres de outros quadrantes do planeta.

 

Mas são menores diante do quê? É óbvio que o critério de valoração continua sendo a norma européia: a epopéia, o romance, a sinfonia, as “belas artes” em geral. O movimento é dialético e não pressupõe maniqueísmo. Pois se aqui não se geraram obras como as de Cervantes, Wagner ou Picasso, “lá” também – onde quer que seja esse lugar – nunca floresceu uma canção popular como a nossa que, sem favor, pode compor um elenco com o que de melhor já foi feito em matéria de poesia e de melodia no Brasil.
Machado de Assis, como de costume, intuiu admiravelmente tudo. No conto “Um homem célebre”, ele nos mostra Pestana, compositor que deseja tornar-se um Mozart mas, desafortunadamente, consegue apenas criar polcas e maxixes de imenso apelo popular. Morre consagrado – mas como autor pop.

 Aliás, não foi à toa que Caetano Veloso colocou uma frase desse conto na contracapa de Circuladô (1991). Um de nossos grandes artistas “menores” por excelência, Caetano sempre soube refletir a partir das limitações de seu meio,conseguindo às vezes transcendê-lo em verso e prosa.
O curioso é que o conceito de arte acabou se alastrando para outros campos (e gramados) da sociedade brasileira. É o caso da consagração do futebol como esporte nacional, a partir da década de 30, quando o bate-bola foi adotado pela imprensa carioca, recebendo status de futebol-arte.
Ainda no terreno das manifestações populares, o IBOPE de alguns carnavalescos é bastante sintomático: eles são os encenadores da mais vista de todas as nossas óperas, o Carnaval. Quem acompanha a cobertura do evento costuma ouvir o testemunho deliciado de estrangeiros a respeito das imensas “qualidades artísticas” dos desfiles nacionais...
Seguindo a fórmula clássica de Antonio Candido em Formação da literatura brasileira (“Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, e não outra, que nos exprime.”), pode-se arriscar que muito da produção artística brasileira é tímida se comparada com o que é feito em outras paragens. Não temos Shakespeare nem Mozart? Mas temos Nelson Rodrigues, Tom Jobim, Nássara, Cartola – produtores de “miudezas” da mais alta estatura. Afinal são eles, e não outros, que expressam o que somos.
(Adaptado de Leandro Sarmatz. Superinteressante, novembro de 2000, p.106, (Idéias que desafiam o senso comum)

1. Faca a interpretação e responda as questões de acordo com o texto,
(A) a arte brasileira não produziu expoentes de vulto
como Shakespeare ou Mozart, tendo sua maior
expressão em eventos populares, como o carnaval e
o futebol.
(B) a literatura brasileira é realmente bastante pobre,
pois é expressão de um meio limitado, com linguagem
pouco expressiva, inadequada a grandes
obras de arte.
(C) as novelas e as crônicas são os gêneros mais cultivados
pelos autores brasileiros, por seu forte apelo
popular, além da simplicidade de temas e de linguagem.
(D) a produção artística brasileira, embora possa ser
considerada de menor expressão, apresenta grandes
vultos em suas diversas e variadas manifestações.
(E) as manifestações artísticas nacionais são mais
aceitas por critérios europeus do que por valores típicos
brasileiros, o que as empobrece sobremaneira.

2. Segundo o texto, está correto o que se afirma em:
(A) O 1o parágrafo aponta a tese que será desenvolvida
em todo o texto, até seu final, de modo plenamente
coerente.
(B) Entende-se o 2o parágrafo como a real proposição
do texto, na defesa das manifestações da arte brasileira.
(C) Machado de Assis e Caetano Veloso são citados,
no 3o parágrafo, como exemplos de expressões, respectivamente,
do maior e do menor em nossa
literatura.
(D) Embora seja habitual, tanto entre brasileiros quanto
entre estrangeiros, considerar-se o carnaval como
“arte” (5o parágrafo), suas manifestações não devem
ser vistas como “artísticas”.
(E) O autor concorda com Antonio Candido, ao considerar,
no último parágrafo, a pobreza da produção
artística brasileira, em qualquer de seus aspectos.

3. Um título adequado ao texto seria:
(A) A “pequena” grande produção artística brasileira.
(B) Manifestações populares de arte “menor” no Brasil.
(C) Apelo popular define o que seja “arte brasileira”.
(D) Ibope determina “valor artístico” de manifestações
populares.
(E) A norma européia ainda é predominante na “arte
brasileira”.

4. Mantém-se o sentido original de um segmento do texto,
com outras palavras, em:
(A) têm sido superlativas aqui = são as mais cultivadas
no planeta.
(B) alcançam níveis de superação artística = precisavam
apresentar qualidade superior.
(C) pode compor um elenco = apresenta uma equipe de
prestígio.
(D) acabou se alastrando para outros campos = estendeu-
se para diversas esferas.
(E) que é feito em outras paragens = que serve de
exemplo para outros lugares.



 

GABARITO:

001 - D 

002 - B 

003 - A 

004 - D

 

Texto 8

 

 





As condições em que vivem os presos, em nossos cárceres superlotados, deveriam assustar todos os que planejam se tornar delinqüentes. Mas a criminalidade só vem aumentando, causando medo e perplexidade na população. Muitas vozes têm se levantado em favor do endurecimento das penas, da manutenção ou ampliação da Lei dos Crimes Hediondos, da defesa da sociedade contra o crime, enfim, do que se convencionou chamar "doutrina da lei e da ordem", apostando em tais caminhos como forma de dissuadir novas práticas criminosas. Geralmente valem-se de argumentos retóricos e emocionais, raramente escorados em dados de realidade ou em estudos que apontem ser esse o melhor caminho a seguir. Embora sedutora e aparentemente sintonizada com o sentimento geral de indignação, tal corrente aponta para o caminho errado, para o retorno ao direito penal vingativo e irracional, tão combatido pelo iluminismo jurídico. O coro dessas vozes aumenta exatamente quando o governo acaba de encaminhar ao Congresso o anteprojeto do Código Penal, elaborado por renomados juristas, com participação da sociedade organizada, com o objetivo de racionalizar as penas, reservando a privação da liberdade somente aos que cometerem crimes mais graves e, mesmo para esses, tendo sempre em vista mecanismos de reintegração social. Destaca-se o emprego das penas alternativas, como a prestação de serviços à comunidade, a compensação por danos causados, a restrição de direitos etc. Contra a ideia de que o bandido é um facínora que optou por atacar a sociedade, prevalece a noção de que são as vergonhosas condições sociais e econômicas do Brasil que geram a criminalidade; enquanto essas não mudarem, não há mágica: os crimes vão continuar aumentando, a despeito do maior rigor nas penas ou da multiplicação de presídios.


(Adaptado de Carlos Weis. "Dos delitos e das penas". Folha
de São Paulo, Tendências e debates, 11/11/2000)


1. O autor do texto mostra-se

(A) identificado com o coro das vozes que se levantam
em favor da aplicação de penas mais rigorosas.
(B) identificado com doutrina que se convencionou
chamar "da lei e da ordem".
(C) contrário àqueles que encontram nas causas sociais
e econômicas a razão maior das práticas criminosas.
(D) contrário à corrente dos que defendem, entre outras
medidas, a ampliação da Lei dos Crimes Hediondos.
(E) contrário àqueles que defendem o emprego das
penas alternativas em substituição à privação da
liberdade.

2. Considere as seguintes afirmações:

I. Não é mais do que uma simples coincidência o fato
de que a intensificação das vozes favoráveis ao
endurecimento das penas ocorre simultaneamente
ao envio ao Congresso do anteprojeto do Código
Penal.
II. A afirmação de que há vozes em favor da
manutenção da Lei dos Crimes Hediondos deixa
implícito que a vigência futura dessa lei está
ameaçada.
III. Estabelece-se uma franca oposição entre os que
defendem a "doutrina da lei e da ordem" e os que
julgam ser o bandido um facínora que age por
opção.
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se
afirma em:

(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.


3. Está corretamente traduzido o sentido de uma expressão
do texto, considerando-se o contexto, em:

(A) Embora sedutora e aparentemente sintonizada ????
Malgrado atrativa e parcialmente sincronizada
(B) forma de dissuadir ???? modo de ratificar
(C) tão combatido pelo iluminismo jurídico ???? de tal modo
restringido pelo irracionalismo jurídico
(D) a despeito do maior rigor nas penas ???? em
conformidade com o agravamento das punições
(E) mecanismos de reintegração social ???? meios para
reinserção na sociedade


4. Por "iluminismo jurídico" deve-se entender a:

(A) doutrina jurídica que defende o caráter vindicativo da
legislação.
(B) corrente dos juristas que representam a "doutrina da
lei e da ordem".
(C) tradição jurídica assentada em fundamentos
criteriosos e racionalistas.
(D) doutrina jurídica que se vale de uma argumentação
retórica.
(E) corrente dos juristas que se identificam com o
sentimento geral de indignação.

GABARITO:

001 - D

002 - B

003 - E

004 - C

Texto 7


 

 



Num encontro pela liberdade de opinião

Vimos aqui hoje para defender a liberdade de opinião
assegurada pela Constituição dos Estados Unidos e também
em defesa da liberdade de ensino. Por isso mesmo, queremos
chamar a atenção dos trabalhadores intelectuais para o grande
perigo que ameaça essa liberdade.
Como é possível uma coisa dessas? Por que o perigo é
mais ameaçador que em anos passados? A centralização da
produção acarretou uma concentração do capital produtivo nas
mãos de um número relativamente pequeno de cidadãos do
país. Esse pequeno grupo exerce um domínio esmagador sobre
as instituições dedicadas à educação de nossa juventude, bem
como sobre os grandes jornais dos Estados Unidos. Ao mesmo
tempo, goza de enorme influência sobre o governo. Por si só,
isso já é suficiente para constituir uma séria ameaça à liberdade
intelectual da nação. Mas ainda há o fato de que esse processo
de concentração econômica deu origem a um problema anteriormente
desconhecido – o desemprego de parte dos que estão
aptos a trabalhar. O governo federal está empenhado em
resolver esse problema, mediante o controle sistemático dos
processos econômicos – isto é, por uma limitação da chamada
livre interação das forças econômicas fundamentais da oferta e
da procura.
Mas as circunstâncias são mais fortes que o homem. A
minoria econômica dominante, até hoje autônoma e desobrigada
de prestar contas a quem quer que seja, colocou-se em
oposição a essa limitação de sua liberdade de agir, exigida para
o bem de todo o povo. Para se defender, essa minoria está
recorrendo a todos os métodos legais conhecidos a seu dispor.
Não deve nos surpreender, pois, que ela esteja usando sua
influência preponderante nas escolas e na imprensa para
impedir que a juventude seja esclarecida sobre esse problema,
tão vital para o desenvolvimento da vida neste país.
Não preciso insistir no argumento de que a liberdade de
ensino e de opinião, nos livros ou na imprensa, é a base do
desenvolvimento estável e natural de qualquer povo. Possamos
todos nós, portanto, somar as nossas forças. Vamos manternos
intelectualmente em guarda, para que um dia não se diga
da elite intelectual deste país: timidamente e sem nenhuma
resistência, eles abriram mão da herança que lhes fora
transmitida por seus antepassados – uma herança de que não
foram merecedores.
(Albert Einstein, Escritos da maturidade. Conferência pronunciada
em 1936)



1. Albert Einstein, além de ser o notabilíssimo físico, preocupava-
se também, como fica evidente no texto, com a:

(A) ameaça que representa a intervenção do poder estatal,
seja para o sistema econômico, seja para o sistema
de ensino.
(B) concentração do poder econômico, quando este passa
a ter influência sobre o debate e a livre circulação
de idéias.
(C) situação de alto índice de desemprego, que desequilibra
não apenas as regras do mercado como
também o sistema educacional.
(D) centralização da produção, quando ela passa a subordinar-
se a circunstâncias que fomentam debates
pela imprensa.
(E) influência do poder econômico sobre o governo,
quando este deseja fazer valer as leis do livre comércio.
 

2. Para se defender, essa minoria está recorrendo a todos os
métodos legais conhecidos a seu dispor. (3o parágrafo)
Contextualizada a frase acima Einstein está:

(A) alertando para a fragilidade de um sistema econômico
à mercê de debates e críticas permanentes.
(B) admitindo que a concentração do poder econômico
põe em risco os parâmetros constitucionais.
(C) reconhecendo o poder institucional de que se vale a
minoria econômica dominante para impor seus interesses.
(D) recusando a legitimidade dos métodos legais de que
as minorias se valem para se oporem às leis do mercado.
(E) considerando o direito que têm as minorias de se defenderem
dos abusos do poder econômico.
 

3. Considere as seguintes afirmações:

I. A frase do texto que resume o fato problematizado
por Einstein é: O governo federal está empenhado
em resolver esse problema, mediante o controle
sistemático dos processos econômicos (...).
II. Na frase as circunstâncias são mais fortes que o
homem, o termo sublinhado refere-se ao movimento
de reação em que se estão empenhando os intelectuais.
III. No contexto do último parágrafo, a afirmação de
que eles abriram mão da herança denota a quebra
de uma tradição histórica de defesa dos ideais de
liberdade.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em:

(A) I, II e III.
(B) I e II, somente.
(C) II e III, somente.
(D) I, somente.
(E) III, somente.
 

4. A expressão limitação de sua liberdade de agir, no terceiro
parágrafo, refere-se aos limites em que se deve circunscrever:

(A) a intervenção do poder estatal sobre a economia.
(B) a ação da imprensa e da elite intelectual.
(C) o sistema jurídico em processo de institucionalização.
(D) o funcionamento básico das leis do mercado.
(E) a reação dos trabalhadores intelectuais.

5. Representa-se um encadeamento progressivo de fatos na
seqüência:

(A) centralização da produção - concentração do capital
- influência preponderante nas escolas e na imprensa.
(B) centralização da produção - domínio esmagador -
concentração do capital.
(C) defesa da liberdade de ensino - interação das forças
econômicas - influência preponderante nas escolas.
(D) grande perigo que ameaça a liberdade - controle
sistemático das forças econômicas - processo de
concentração econômica.
(E) defesa da liberdade de ensino - desemprego de parte
dos que estão aptos a trabalhar - desenvolvimento
da vida no país.
 

6. A centralização da produção acarretou uma concentração
do capital produtivo nas mãos de um número relativamente
pequeno de cidadãos do país.
As expressões sublinhadas podem ser substituídas,
respectivamente, sem prejuízo para a correção e o sentido
da frase acima, por:

(A) estribou-se numa - comparavelmente
(B) incluiu-se em uma - um tanto quanto
(C) implicou-se numa - mais ou menos
(D) deveu-se a uma - moderadamente
(E) originou uma - em certa medida



GABARITO:

001 - B

002 - C

003 - E  

004 - D

005 - A

006 - E 

Texto 6

 

 

 

 A água mineral é hoje associada ao estilo de vida saudável e ao bem-estar. As garrafinhas de água mineral já se tornaram acessórios de esportistas e, em casa, muita gente nem pensa
em tomar o líquido que sai da torneira – compra água em garrafas ou galões. Nos últimos dez anos, em todo o planeta, o consumo de água mineral cresceu 145% – e passou a ocupar um lugar de destaque nas preocupações de muitos ambientalistas. O foco não está exatamente na água, mas na embalagem. A fabricação das garrafas plásticas usadas pela maioria das marcas é um processo industrial que provoca grande quantidade de gases, agravando o efeito estufa. Ao serem descartadas, elas produzem montanhas de lixo que nem sempre é reciclado.

Muitas entidades ambientalistas têm promovido campanhas de conscientização para esclarecer que, nas cidades em que a água canalizada é bem tratada, o líquido que sai das torneiras em nada se diferencia da água em garrafas. As campanhas têm dado resultado nos lugares onde há preocupação geral com o ambiente e os moradores confiam na água encanada.

Apenas nos Estados Unidos, os processos de fabricação e reciclagem das garrafas plásticas consumiram 17 milhões de barris de petróleo em 2006. Esses processos produziram 2,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa, poluição equivalente à de 455.000 carros rodando normalmente durante um ano. O dano é multiplicado por três quando se consideram as emissões provocadas por transporte
e refrigeração das garrafas.

O problema comprovado e imediato causado pelas embalagens de água é o espaço que elas ocupam ao serem descartadas. Como demoram pelo menos cem anos para degradar,
elas fazem com que o volume de lixo no planeta cresça exponencialmente. Quando não vão para aterros sanitários, os recipientes abandonados entopem bueiros nas cidades, sujam rios e acumulam água que pode ser foco de doenças, como a dengue. A maioria dos ambientalistas reconhece evidentemente que, nas regiões nas quais não é recomendável consumir água diretamente da torneira, quem tem poder aquisitivo para comprar água mineral precisa fazê-lo por uma questão de segurança. De acordo com relatório da ONU divulgado recentemente, 170 crianças morrem por hora no planeta devido a doenças decorrentes do consumo de água imprópria.
 

(Adaptado de Rafael Corrêa e Vanessa Vieira. Veja. 28 de
novembro de 2007, p. 104-105)

INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS EXERCÍCIOS


1. Conclui-se corretamente do 2o parágrafo do texto que parte
da solução do problema apresentado está na:

(A) interferência de ambientalistas no controle da
fabricação das garrafas de plástico.
(B) definição do espaço onde as garrafas possam ser
descartadas, evitando o entupimento de bueiros e o
acúmulo de água.
(C) possibilidade, ainda que remota, de distribuição de
água mineral em regiões onde não há água canalizada.
(D) substituição das embalagens plásticas, para que não
restem resíduos na natureza, degradando-a.
(E) oferta de água canalizada de boa qualidade, para diminuir
o engarrafamento de água mineral em todo o mundo.

2. O argumento que justifica a preocupação com o meio
ambiente, de acordo com o texto, está na afirmativa:

(A) A água mineral é hoje associada ao estilo de vida
saudável e ao bem-estar.
(B) Nos últimos dez anos, em todo o planeta, o consumo
de água mineral cresceu 145% ...
(C) As garrafinhas de água mineral já se tornaram
acessórios de esportistas ...
(D) Muitas entidades ambientalistas têm promovido campanhas
de conscientização ...
(E) As campanhas têm dado resultado nos lugares onde
há preocupação geral com o ambiente ...

3. Identifica-se relação de causa e conseqüência, respectivamente,
no segmento:

(A) O foco não está exatamente na água, mas na embalagem.
(B) As campanhas têm dado resultado nos lugares onde
há preocupação geral com o ambiente e os moradores
confiam na água encanada.
(C) Apenas nos Estados Unidos, os processos de fabricação
e reciclagem das garrafas plásticas consumiram
17 milhões de barris de petróleo em 2006.
(D) Como demoram pelo menos cem anos para degradar,
elas fazem com que o volume de lixo no planeta
cresça exponencialmente.
(E) Quando não vão para aterros sanitários, os recipientes
abandonados entopem bueiros nas cidades, sujam
rios e acumulam água ...

4. ... quem tem poder aquisitivo para comprar água mineral
precisa fazê-lo por uma questão de segurança. (último
parágrafo)
O segmento grifado evita a repetição, no contexto, de:

(A) ter poder aquisitivo.
(B) consumir água da torneira.
(C) comprar água mineral.
(D) evitar doenças decorrentes de água não potável.
(E) reconhecer as regiões onde a água é imprópria.



GABARITO:

001 - E

002 - B

003 - D

004 - C

Mais Artigos...

Pesquisa no Site

Novidades no E-mail

Visitantes OnLine

Nós temos 51 visitantes online