Textos para Interpretar

Texto 5

 

 

 

 

 

 

Bolsa Floresta

Quando os dados do desmatamento de maio saíram esta semana da gaveta da Casa Civil, onde ficaram trancados por vários dias, ficou-se sabendo que maio foi igual ao abril que passou: perdemos de floresta mais uma área equivalente à cidade do Rio de Janeiro. Ao ritmo de um Rio por mês, o Brasil vai pondo abaixo a maior floresta tropical. No Amazonas, visitei uma das iniciativas para tentar deter a destruição.

O Estado do Amazonas é o que tem a floresta mais preservada. O número repetido por todos é que lá 98% da floresta estão preservados, 157 milhões de hectares, 1/3 da Amazônia brasileira. A Zona Franca garante que uma parte do mérito lhe cabe, porque criou alternativa de emprego e renda para a população do estado. Há quem acredite que a pressão acabará chegando ao Amazonas depois de desmatados os estados mais acessíveis.

João Batista Tezza, diretor técnico-científico da Fundação Amazonas Sustentável, acha que é preciso trabalhar duro na prevenção do desmatamento. Esse é o projeto da Fundação que foi criada pelo governo, mas não é governamental, e que tem a função de implementar o Bolsa-Floresta, uma transferência de renda para pessoas que vivem perto das áreas de preservação estadual. A idéia é que elas sejam envolvidas no projeto de preservação e que recebam R$ 50 por mês, por família, como uma forma de compensação pelos serviços que prestam. [...]

Tezza é economista e acha que a economia é que trará a solução:
— A destruição ocorre porque existem incentivos econômicos; precisamos criar os incentivos da proteção.[...] Nas áreas próximas às reservas estaduais, estão instaladas 4.000 famílias e, além de ganharem o Bolsa- Floresta, vão receber recursos para a organização da comunidade. — Trabalhamos com o conceito dos serviços ambientais prestados pela própria floresta em pé e as emissões evitadas pela proteção contra o desmatamento. Isso é um ativo negociado no mercado voluntário de redução das emissões — diz Tezza.
Atualmente a equipe da Fundação está dedicada a um trabalho exaustivo: ir a cada uma das comunidades, viajando dias e dias pelos rios, para cadastrar todas as famílias. A Fundação trabalha mirando dois mapas. Um mostra o desmatamento atual, que é pequeno. Outro projeta o que acontecerá em 2050 se nada for feito. Mesmo no Amazonas, onde a floresta é mais preservada, os riscos são visíveis. Viajei por uma rodovia estadual que liga Manaus a Novo Airão. À beira da estrada, vi áreas recentemente desmatadas, onde a fumaça ainda sai de troncos queimados. [...]

LEITÃO, Miriam. In: Jornal O Globo. 19 jul. 2008. (adaptado)

1

Bolsa-Floresta, título do texto, é o nome dado a um(a)

(A) recurso adotado por empresas privadas para que a

população dê suporte aos projetos de desmatamento.

(B) mensalidade destinada aos moradores das cercanias de

áreas de preservação por sua ajuda.

(C) medida social para apoio às populações da floresta, que

não têm de onde obter sobrevivência.

(D) doação governamental regular feita às pessoas

que moram na floresta, como se fosse uma bolsa de

estudos.

(E) ajuda realizada por organizações não governamentais

para que a população de baixa renda possa se manter

melhor.

2

A expressão em destaque no trecho “Quando os dados do

desmatamento de maio saíram esta semana da gaveta ...”

(????.1-2) pode ser adequadamente substituída, sem

alteração do sentido, por

(A) foram finalmente examinados.

(B) foram apresentados às autoridades.

(C) foram tirados da situação de abandono.

(D) encaminharam-se ao setor técnico.

(E) chegaram ao conhecimento público.

3

No 2o parágrafo, o mérito da Zona Franca na preservação

florestal do estado do Amazonas deve-se ao fato de ter

(A) oferecido oportunidades de ganho para a população,

afastando-a do desmatamento.

(B) atraído compradores de todas as partes do Brasil com o

seu comércio florescente.

(C) criado uma área de comércio de bens livres de impostos, o

que favoreceu novas aquisições para a população.

(D) feito a promoção do desenvolvimento econômico

da região, melhorando sua contribuição para o PIB

brasileiro.

(E) aberto o mercado interno nacional para a entrada de

produtos estrangeiros de alta tecnologia.

4

“No Amazonas, visitei uma das iniciativas para tentar deter a

destruição.” (????. 7-8). Tal iniciativa é a(o)

(A) manutenção da Zona Franca.

(B) criação do Bolsa-Floresta.

(C) expansão de 1/3 da Amazônia.

(D) preservação da floresta.

(E) comprometimento do governo estadual.

5

Com a leitura do parágrafo que contém a oração “porque

criou alternativa de emprego e renda para a população do

estado.” (????. 13-14) pode-se inferir que, no texto, a outra alternativa

seria

(A) buscar outra fonte de renda.

(B) desmatar a floresta.

(C) emigrar para outro estado.

(D) trabalhar na Zona Franca.



Gabarito

1 – B; 2 – E; 3 – A ; 4 – B; 5 – B

Texto 4

 

 

 

 

INFRAERO NÃO EXPLICA O FRACASSO DA LICITAÇÃO

Dezoito dias após o fracasso da licitação para escolha de projetos para ampliação do Aeroporto Internacional Hercílio Luz, de Florianópolis, a Infraero não tem previsão para publicação de um novo edital. A estatal informou que está revisando o documento a fim de realizar uma nova concorrência, mas não indica quando deverá anunciá-la e não esclarece as razões que levaram ao esvaziamento da licitação.

A Infraero pronunciou-se, ontem, em nota à imprensa, após a repercussão sobre a licitação ocorrida em 28 de abril, na qual nenhuma empresa apresentou proposta para a concorrência. Na avaliação do Estado, o possível atraso na ampliação do aeroporto da Capital irá comprometer o crescimento do turismo na região. A Infraero não quis comentar as informações apresentadas na nota. Sem os esclarecimentos, uma série de aspectos ficam sem definição. Um deles é se o fracasso da licitação atrasará as obras, que prevê a conclusão da ampliação para 2010. Também permanecem desconhecidos os motivos para o esvaziamento da licitação.

Sabe-se apenas que a estatal apurou as razões com consulta direta às empresas que havia se credenciado à concorrência. Florianópolis, Diário Catarinense, 17/maio/2008, p.16.



1ª Questão: Após ler com atenção o texto, assinale a alternativa que NÃO corresponde ao pensamento nele expresso:

a) A reportagem faz graves acusações à Infraero, por manipular indevidamente a realização da licitação.

b) Nota da Infraero esclarece que não houve propostas para concorrer à licitação para a ampliação do Aeroporto Hercílio Luz e, por isso, realizará nova concorrência.

c) O crescimento do turismo na região depende, em parte, da ampliação do aeroporto.

d) Possivelmente o esvaziamento da licitação decorreu do fato de a Infraero ter realizado consulta direta às empresas.



2ª Questão: Assinale, também com base no texto, a alternativa correta:

a) Após o fracasso da licitação, a Infraero apresentou nota à imprensa, prestando amplos esclarecimentos sobre o esvaziamento ocorrido.

b) O fato de nenhuma empresa ter apresentado proposta para a ampliação do Aeroporto Hercílio Luz provocou repercussão na sociedade.

c) A Infraero garante que publicará novo edital de licitação e que o prazo para concluir a ampliação permanece o mesmo.

d) Na frase “uma série de aspectos ficam sem definição”, o redator fez indevida concordância do sujeito singular com o verbo no plural.



3ª Questão: Assinale a alternativa em que todas as palavras são oxítonas:

a) anunciá-la, já, ímã, deverá

b) após, novel, está, também, sutil

c) prevê, pôde, conheci, sós

d) instalaram, atrasará, sutil, pés



4ª Questão: Assinale a alternativa que NÃO corresponde à idéia do texto:

a) A atitude da mãe parece cruel, mas demonstra amor.

b) “Medo da Senhora” pode significar medo da patroa.

c) Para não ver a filhinha sofrer como ela, a mãe preferiu vê-la morta.

d) Não há justificativa para o ato de a mãe matar a filhinha.



GABARITO


1. A 2. B 3. B 4. D

 

Texto 3

 

 

 

 

COMO O REI DE UM PAÍS CHUVOSO

Um espectro ronda o mundo atual: o espectro do tédio. Ele se manifesta de diversas maneiras. Algumas de suas vítimas invadem o “shopping center” e, empunhando um cartão de crédito, comprometem o futuro do marido ou da mulher e dos filhos. A maioria opta por ficar horas diante da TV, assistindo a “reality shows”, os quais, por razões que me escapam, tornam interessante para seu público a vida comum de estranhos, ou seja, algo idêntico à própria rotina considerada vazia, claustrofóbica.

O mal ataca hoje em dia faixas etárias que, uma ou duas gerações atrás, julgávamos naturalmente imunizadas a seu contágio. Crianças sempre foram capazes de se divertir umas com as outras ou até sozinhas. Dotadas de cérebros que, como esponjas, tudo absorvem e de um ambiente, qualquer um, no qual tudo é novo, tudo é infinito, nunca lhes faltam informação e dados a processar. Elas não precisam ser entretidas pelos adultos, pois o que quer que estes façam ou deixem de fazer lhes desperta, por definição, a curiosidade natural e aguça seus instintos analíticos. E, todavia, os pais se vêem cada vez mais compelidos a inventar maneiras de distrair seus filhos durante as horas ociosas destes, um conceito que, na minha infância, não existia. É a idéia de que, se a família os ocupar com atividades, os filhos terão mais facilidades na vida.

Sendo assim, os pais, simplesmente, não deixam os filhos pararem. Se o mal em si nada tem de original e, ao que tudo indica, surgiu, assim como o medo, o nojo e a raiva, junto com nossa espécie ou, quem sabe, antes, também é verdade que, por milênios, somente uma minoria dispunha das precondições necessárias para sofrer dele. Falamos do homem cujas refeições da semana dependiam do que conseguiria caçar na segunda-feira, antes de, na terça, estar fraco o bastante para se converter em caça e de uma mulher que, de sol a sol, trabalhava com a enxada ou o pilão. Nenhum deles tinha tempo de sentir o tédio, que pressupõe ócio abundante e sistemático para se manifestar em grande escala. Ninguém lhe oferecia facilidades. Por isso é que, até onde a memória coletiva alcança, o problema quase sempre se restringia ao topo da pirâmide social, a reis, nobres, magnatas, aos membros privilegiados de sociedades que, organizadas e avançadas, transformavam a faina abusiva da maioria no luxo de pouquíssimos eleitos.

O tédio, portanto, foi um produto de luxo, e isso até tão recentemente que Baudelaire, para, há século e meio, descrevê-lo, comparou-se ao rei de um país chuvoso, como se experimentar delicadeza tão refinada elevasse socialmente quem não passava de “aristocrata de espírito”.

Coube à Revolução Industrial a produção em massa daquilo que, previamente, eram raridades reservadas a uma elite mínima. E, se houve um produto que se difundiu com sucesso notável pelos mais inesperados andares e ecantos do edifício social, esse produto foi o tédio. Nem se requer uma fartura de Primeiro Mundo para se chegar à sua massificação. Basta, a rigor, que à satisfação do biologicamente básico se associe o cerceamento de outras possibilidades (como, inclusive, a da fuga ou da emigração), para que o tempo ocioso ou inútil se encarregue do resto. Foi assim que, após as emoções fornecidas por Stalin e Hitler, os países socialistas se revelaram exímios fabricantes de tédio, único bem em cuja produção competiram à altura com seus rivais capitalistas. O tédio não é piada, nem um problema menor. Ele é central. Se não existisse o tédio, não haveria, por exemplo, tantas empresas de entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas. Seja como for, nem esta nem soluções tradicionais (a alta cultura, a religião organizada) resolverão seus impasses. Que fazer com essa novidade histórica, as massas de crianças e jovens perpetuamente desempregados, funcionários, gente aposentada e cidadãos em geral ameaçados não pela fome, guerra ou epidemias, mas pelo tédio, algo que ainda ontem afetava apenas alguns monarcas?

ASCHER, Nélson, Folha de S. Paulo, 9 abr. 2007, Ilustrada. (Texto adaptado)



Questão 01

“Como o rei de um país chuvoso”

O título do texto contém, sobretudo,

A) uma alusão à antítese entre a facilidade de provimento das necessidades materiais
e o vazio decorrente do ócio e da monotonia pela ausência de motivos por que
lutar.
B) uma comparação que trata da dificuldade de convivência entre a opulência do
poder e a manipulação decorrente do consumismo exacerbado.
C) uma metáfora relacionada à coabitação da angústia existencial contemporânea
com a busca de sentidos para a vida, especialmente entre os membros da
aristocracia.
D) uma referência ao conflito advindo da solidão do poder, especialmente no que se
refere ao desânimo oriundo da ausência de perspectivas para a vida em sociedade.


Questão 02

O texto NÃO menciona como causa para a presença do tédio na sociedade moderna


A) a ausência de atividades físicas compulsórias relacionadas com a sobrevivência.
B) a facilidade de acesso aos bens que provêem as necessidades físicas primárias.
C) a limitação da mobilidade física e privação de certas liberdades.
D) a proliferação de empresas e de espaços de lazer e de consumo.

 Questão 03

A alternativa em que o termo destacado NÃO está corretamente explicado entre
parênteses é:

A) “[...] aos membros privilegiados de sociedades que [...] transformavam a faina
abusiva da maioria no luxo de pouquíssimos eleitos.” (linhas 30-32) (A CARÊNCIA,
A MISÉRIA)
B) “Basta [...] que à satisfação do biologicamente básico se associe o cerceamento
de outras possibilidades [...]” (linhas 41-43) (A RESTRIÇÃO, A SUPRESSÃO)
C) “[...] os países socialistas se revelaram exímios fabricantes do tédio[...]” (linhas 45-
46) (EMINENTES, PERFEITOS)
D) “Um espectro ronda o mundo atual: o espectro do tédio.” (linha 1) (UM
FANTASMA, UMA AMEAÇA)

Questão 04

“O mal ataca hoje em dia faixas etárias que, uma ou duas gerações atrás, julgávamos
naturalmente imunizadas a seu contágio.” (linhas 8-9)
A expressão destacada pode ser substituída sem alteração significativa do sentido por:

A) a uma ou duas gerações.
B) acerca de duas gerações.
C) há uma ou duas gerações.
D) por uma ou duas gerações.

Questão 05

“Se não existisse o tédio, não haveria, por exemplo, tantas empresas de
entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.” (linhas 47-49)
Alterando-se os tempos verbais, haverá erro de coesão em:

A) Não existindo o tédio, não haveria, por exemplo, tantas empresas de
entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.
B) Se não existe o tédio, não terá havido, por exemplo, tantas empresas de
entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.
C) Se não existir o tédio, não vai haver, por exemplo, tantas empresas de
entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.
D) Se não tivesse existido o tédio, não teria havido, por exemplo, tantas empresas de
entretenimento e tantas fortunas decorrentes delas.


Questão 06

A supressão da vírgula implica alteração do sentido em:

A) “Coube à Revolução Industrial a produção em massa daquilo que, previamente,
eram raridades reservadas a uma elite mínima.” (linhas 37-38)
Coube à Revolução Industrial a produção em massa daquilo que previamente eram
raridades reservadas a uma elite mínima.
B) “Nenhum deles tinha tempo de sentir o tédio, que pressupõe ócio abundante e
sistemático [...]” (linhas 26-27)
Nenhum deles tinha tempo de sentir o tédio que pressupõe ócio abundante e
sistemático [...]
C) “O tédio não é piada, nem um problema menor.” (linha 47)
O tédio não é piada nem um problema menor.
D) “[...] também é verdade que, por milênios, somente uma minoria dispunha das
precondições necessárias [...]” (linhas 21-23)
[...] também é verdade que por milênios somente uma minoria dispunha das
precondições necessárias [...]
 

Questão 01:B

Questão 02:D

Questão 03:A

Questão 04:C

Questão 05:C

Questão 06:A

Texto 2

 

 

 

MR. STEFHENS COMPRA UMA CIDADE

Mr. Stefhens simplesmente nos comprou. Quis tudo como estava. Não nos despejou das casas nem disse muita coisa. Aliás, Mr. Stefhens não falava, quero dizer, não ouvimos uma vez sequer as palavras de Mr. Stefhens. Ficava olhando tudo como se fosse a primeira vez, com as mãos nos bolsos, balançando a cabeça mas sem que isso dissesse muito. Mr. Stefhens não era um homem que extravasasse seus sentimentos. Quanto a isso nos acostumamos logo. Nunca perguntamos a Mr. Stefhens o que ele pensava nos seus passeios e da compra da cidade. O homem não parecia perigoso, mas até meio abobalhado, quando daqueles passeios intermináveis.

Vivia medindo as ruas, contando as casas e vez por outra circulava a cidade em passos que, a todos nós, pareciam misteriosos, mas que para Mr. Stefhens tinha lá o seu sentido: o homem não era louco. Pelo menos não aparentava. E o deixamos aos seus estranhos afazeres. Por isso quase não notamos quando chegaram as grandes traves de ferro, as cercas, as telas de aço e os veículos cheios de trabalhadores mal encarados e mudos. Continuamos nossa vida sem ligar à vida de Mr. Stefhens. Durante muitos dias homens estranhos pareciam confirmar as contas que Mr. Stefhens havia feito naquelas semanas que sucederam à compra da cidade. Isso supussemos porque balançavam a cabeça apoiando o caderninho que Mr. Stefhens mantinha sempre aberto diante dos seus olhos. Armaram os instrumentos e começaram a cavar buracos em volta da cidade. Tudo perfeitamente conforme as mais rígidas normas da construção. Fizeram uma espécie de calçada em volta da cidade e uma mureta também circular. Depois armaram os ferros e colocaram as telas, que se uniam numa imensa abóbada sobre as nossas cabeças, envolvendo a cidade. Era uma gaiola bonita, com entrada vistosa, e um letreiro sobre ela que jamais pudemos ver, não por alguma imposição, mas simplesmente porque não tivemos curiosidade e disposição.

Não nos faziam mal, por que interferir nos negócios de Mr. Stefhens? Os visitantes que começaram a surgir, tão diferentes de nós, não perturbavam o desenrolar dos nossos dias e desconhecíamos suas línguas.

Aprendemos a viver com eles entrando em nossas casas, apontando nossos filhos, mexendo em nossas coisas e até insinuando nossos desejos. Muitos deles caíam na gargalhada, mas iam todos embora, impreterivelmente, às cinco horas em ponto, quando Mr. Stefhens fechava a porta e desaparecia.

Mr. Stefhens também não mudou em nada nossa vida. Até passamos a receber grandes atenções do mundo e nos últimos tempos temos visto que Mr. Stefhens tem engordado e ri à toa, muito feliz.

(Alberto Lins Caldas. BABEL: CONTOS. Rio de Janeiro, Revan, 2001)

 

 

Assinale a única alternativa correta:

 

01. A trama textual explora as seguintes questões:

a. (   ) egoísmo e intolerância humana

b. (   ) coisificação e passividade do homem

c. (   ) incomunicabilidade e preconceito religioso

d. (   ) exploração dos animais e corrupção econômica

02. Aponte a relação metafórica que o texto constrói:

a. (   ) homem – domador              b. (   ) trabalho – grilhões

c. (   ) cidade – prisão                    d. (   ) filhos – ornamentos

03. Indique a passagem que identifica o papel social de Mr. Stefhens:

a. (   ) “Aliás, Mr. Stefhnes não falava…”

b. (   ) “O homem não parecia perigoso…”

c. (   ) “… ria à toa, muito feliz.”

d. (   ) “Vivia medindo as ruas, contando as casas…”

04. Quanto à forma, pode-se classificar o texto como:

a. (   ) epopéia – mescla de fatos verídicos e ficcionais que apresentam o homem como

heroi, superior ao meio.

b. (   ) sátira – narrativa de fundo paródico-cômico sobre a situação do homem contemporâneo.

c. (   ) alegoria – narrativa que apresenta, sob uma camada material e concreta, ideias e reflexões relativas ao homem e sua condição.

d. (   ) lenda – narrativa de fundo sobrenatural que explica as origens do homem e do mundo.

05. Sobre a composição textual, pode-se afirmar que:

a. (   ) o nome do Mr. Stefhens indica o “status” da personagem reiterado pelo pronome de tratamento em inglês.

b. (   ) a narração é feita em 2ª pessoa.

c. (   ) Os eventos ocorrem sem obedecer a uma ordem cronológica.

d. (   ) todas as personagens são individualizadas, mostradas em seus aspectos físicos e psicológicos.

 

Gabarito

1. b       2. C         3. D     4. C         5. A

Texto 1

 

 

 

CINZAS DA INQUISIÇÃO

1.         Até agora fingíamos que a Inquisição era um episódio da história europeia, que tendo durado do século XII ao século XIX, nada tinha a ver com o Brasil. No máximo, se prestássemos muita atenção, íamos falar de um certo Antônio José – o Judeu, um português de origem brasileira, que foi queimado porque andou escrevendo umas peças de teatro.

2.          Mas não dá mais para escamotear. Acabou de se realizar um congresso que começou em Lisboa, continuou em São Paulo e Rio, reavaliando a Inquisição. O ideal seria que esse congresso tivesse se desdobrado por todas as capitais do país, por todas as cidades, que tivesse merecido mais atenção da televisão e tivesse sacudido a consciência dos brasileiros do Oiapoque ao Chuí, mostrando àqueles que não podem ler jornais nem frequentar as discussões universitárias o que foi um dos períodos mais tenebrosos da história do Ocidente. Mas mostrar isso, não por prazer sadomasoquista, e sim para reforçar os ideais de dignidade humana e melhorar a debilitada consciência histórica nacional.

3.          Calar a história da Inquisição, como ainda querem alguns, em nada ajuda a história das instituições e países. Ao contrário, isto pode ser ainda um resquício inquisitorial. E no caso brasileiro essa reavaliação é inestimável, porque somos uma cultura que finge viver fora da história.

4.          Por outro lado, estamos vivendo um momento privilegiado em termos de reconstrução da consciência histórica. Se neste ano (1987) foi possível passar a limpo a Inquisição, no ano que vem será necessário refazer a história do negro em nosso país, a propósito dos cem anos da libertação dos escravos. E no ano seguinte, 1989, deveríamos nos concentrar para rever a “república” decretada por Deodoro. Os próximos dois anos poderiam se converter em um intenso período de pesquisas, discussões e mapeamento de nossa silenciosa história. Universidades, fundações de pesquisa e os meios de comunicação deveriam se preparar para participar desse projeto arqueológico, convocando a todos: “Libertem de novo os escravos”, “proclamem de novo a República”.

5.          Fazer história é fazer falar o passado e o presente, criando ecos para o futuro.

6.          História é o anti-silêncio. É o ruído emergente das lutas, angústias, sonhos, frustrações. Para o pesquisador, o silêncio da história oficial é um silêncio ensurdecedor. Quando penetra nos arquivos da consciência nacional, os dados e os feitos berram, clamam, gritam, sangram pelas prateleiras. Engana-se, portanto, quem julga que os arquivos são lugares de poeira e mofo. Ali está pulsando algo. Como um vulcão aparentemente adormecido, ali algo quer emergir. E emerge. Cedo ou tarde. Não se destrói totalmente qualquer documentação. Sempre vai sobrar um herege que não foi queimado, um judeu que escapou ao campo de concentração, um dissidente que sobreviveu aos trabalhos forçados na Sibéria. De nada adiantou àquele imperador chinês ter queimado todos os livros e ter decretado que a história começasse por ele.

7.          A história começa com cada um de nós, apesar dos reis e das inquisições.

(SANT’ANNA, Affonso R. de. A raiz quadrada do absurdo. Rio de Janeiro, Editora Rocco, 1989)

1. Tendo em vista o desenvolvimento do texto, assinale a opção que justifica o título “Cinzas da Inquisição”:

a. (   ) A Inquisição se transformou em cinzas e deve ser arquivada.

b. (   ) A valorização da dignidade do ser humano é ponto básico da história da Inquisição.

c. (   ) A Inquisição deixou marcas que devem levar a uma reflexão.

d. (   ) A discussão dos fatos relacionados à Inquisição tem se  mostrado infrutífera.

e. (   ) A lembrança dos fatos da Inquisição não conseguiu melhorar o futuro.

2. Assinale a opção em que há erro na relação entre a ideia e o parágrafo indicado entre parênteses:

a. (   ) Os brasileiros supunham que a Inquisição pertencesse somente à história da Europa. (1º parágrafo)

b. (   ) Foi realizado um congresso com o intuito de reavaliar a Inquisição. (2º parágrafo)

c. (   ) A História estabelece relações entre o passado e o futuro. (3º parágrafo)

d. (   ) O momento é propício para fazermos uma reflexão sobre importantes fatos de nossa história. (4º parágrafo)

e. (   ) A história tem sua força própria, ela grita e aparece, apesar de todos os obstáculos. (6º parágrafo)

3. Com relação aos cem anos da libertação dos escravos e aos cem anos da Proclamação da República, pode-se afirmar, de acordo com o texto, que:

a. (   ) é necessário comemorar as várias conquistas feitas ao longo desses anos.

b. (   ) tanto a libertação dos escravos quanto a Proclamação da República precisam ser revistas e repensadas.

c. (   ) têm sido convocados mais pesquisadores para estudar esse período de nossa história.

d. (   ) esses assuntos vêm sendo constantemente abordados nas universidades brasileiras.

e. (   ) o governo deve dar a essas datas históricas a mesma importância que dá a outras.

4. O paradoxo da expressão “um silêncio ensurdecedor” indica que o silêncio:

a. (   ) provoca alienação e torpor

b. (   ) leva à paralisação e à inércia

c. (   ) gera atos de violência e loucura

d. (   ) atordoa e aflige

e. (   ) causa temor e respeito

Gabarito:

1. C         2. C          3. B         4. D

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