Classicismo

Classicismo

Classicismo, ou Quinhentismo (século XV) é o nome dado ao período literário que surgiu na época do Renascimento (Europa séc. XV a XVI). Um período de grandes transformações culturais, políticas e econômicas.

 

 

Vários foram os fatores que levaram a tais transformações, dentre eles a crise religiosa (era a época da Reforma Protestante, liderada por Lutero), as grandes navegações (onde o homem foi além dos limites da sua terra) e a invenção da Imprensa que contribuiu muito para a divulgação das obras de vários autores gregos e latinos (cultura clássica) proporcionando mais conhecimento para todos.

Foi na arte renascentista que o antropocentrismo atingiu a sua plenitude, agora, era o homem que passava a ser evidenciado, e não mais Deus.

A arte renascentista se inspirava no mundo greco-romano (Antiguidade Clássica) já que estes também eram antropocêntricos.

 

 

 

 

Características do Classicismo

1. Equilíbrio e harmonia - de forma e fundo. Clareza, mentalidade aberta, intensidade vital, ímpeto progressista, euforia, ânsia de glória e perenidade, apreço pelo humano, sentido do nu artístico. Racionalismo, primado da razão que governa as emoções e os sentimentos. Sobriedade, simetria, simplicidade.

2. Culto da Antiguidade Greco-Latina - Retomada das regras e modelos clássicos e da disciplina gramatical, poética e retórica dos antigos. presença da mitologia, dos deuses pagãos usados como figuras literárias e claras alegorias.

3. Universalismo - Apego aos valores transcendentais (o Belo, o Bem, a Verdade, a Perfeição). Ajustado a sistemas racionais, simplificação por lucidez técnica, simetria.

4. Imitação - Autores gregos e latinos são tomados como modelos ideais de verdade, beleza e perferição. A obediência às formas e gênereos da Antigüidade prevalece sobre o impulso pessoal e sobre a busca da originalidade.

5. Ideal ético-estético - Seguindo os gregos, a idéia de Beleza estava sempre associada à de Bem, como um ideal de perfeição simultaneamente estético e ético. O Belo é o Bem e vice-versa.

6. Verossimilhança - Os clássicos entendiam que o belo é racional, o verdadeiro, e o verdadeiro é o natural. Daí a valorização da natureza e sua imitação artística.

7. Fusionismo - A fusão do racionalismo e paganismo com a tradição judaico-cristã levou Camõesa harmonizar divindades da mitologia pagã com personagens bíblicas do Antigo e Novo Testamento.

 

 

 

Luiz Vaz de Camões (ou Luiz de Camões) foi e ainda é considerado o maior poeta renascentista que viveu na época “clássica” desse período.

De família não tão rica e não tão pobre, fazia parte do que se considerava na época de pequena nobreza. A maior parte dos estudiosos do Renascimento afirma que Camões nasceu em Lisboa, mesmo que essa informação ainda não lhes seja confirmada.

    Apesar de grande poeta, demonstrou também grande interesse em assuntos militares, alistando-se mais de uma vez com o intuito de servir o exército. E conseguiu. Até perdeu um olho em guerra.

    Como a maioria dos poetas classicistas, Luiz de Camões fez de suas poesias, uma verdadeira releitura dos tempos de História Antiga, com escritos épicos que remetem à Grécia e Roma Clássicas, valorizando e afirmando a superioridade do ser humano. Entretanto, é bom lembrar que Camões despertou um certo interesse e facilidade em escrever poemas referentes ao amor, ainda que isso não signifique que a razão para ele não fosse importante, mas pelo contrário, a razão era o fundamento principal para a base de entendimento do ser humano e suas emoções.

 

Camões Lírico

 

 

 Camões foi notável pelo seu poder de síntese, pela diversidade ao registrar os eventos, pela sua fluência e pela capacidade de adequar, de forma exata, seus pensamento. Ele escreveu seguindo dois padrões: “a medida velha”, acompanhando a escola tradicional das redondilhas maiores e menores e “a medida nova”, segundo os padrões clássicos, mais notadamente no destaque aos sonetos.

Muitas vezes o poeta vale-se de um certo humor brando, fazendo fluir seus próprios pensamentos e sentimentos. Outras, Camões brinca com o paradoxo e imprime velocidade às suas imagens. O poeta articula sua longa e variada experiência em termos filosóficos e religiosos correntes da época. Por isso, a lírica de Camões apresenta duas tensões básicas: o Amor e o desconcerto do mundo. 

 

O amor camoniano é apoiado pelo interesse do poeta ao movimento neoplatonismo (“corrente doutrinária que se caracterizava pelas teses da absoluta transcendência do ser divino, da emanação e do retorno do mundo a Deus pela interiorização progressiva do homem”), como faria qualquer outro cristão culto do seu tempo. Camões herdou desse movimento, por meio do cristianismo, a concepção da mulher angelical e do amor platônico, muito aplicados em seus versos para canto, para canções e para redondilhas. Mas sua experiência de vida o coloca entre o desejo carnal e o ideal platônico de amor, só vivido no mais nobre pensamento. Camões tenta resolver essa tensão por meio do platonismo, ao imaginar que as belezas das coisas terrenas não passam de sombras das belezas plenas.

 

Na poesia lírica de Camões o amor é descrito como um sentimento que entusiasma o homem, tornando-o capaz de atingir o Bem, a Beleza e a Verdade. Também aparece como um sentimento de significado contrário pela própria natureza. Por um lado, o Amor é manifestação do espírito, por outro é manifestação física. Para Camões, o Amor deve ser experimentado, deve ser sentido e não apenas mental, um sentimento de pensamento.

Além do tema amoroso, Camões se faz cantor dos desconcertos do mundo. Espírito muito atento à sua época, tem plena consciência de que tudo muda, nada é eterno.

 

 

 

O poeta procura conhecer, conceituar o Amor, o que só consegue realizar lançando mão de antíteses e paradoxos, como no exemplo abaixo:

 

 

AMOR É UM FOGO QUE ARDE SEM SE VER

QUARTETOS

1.Amor é um fogo que arde sem se ver,
2.É ferida que dói e não se sente;
3.É um contentamento descontente;
4.É dor que desatina sem doer.

5. É um não querer mais que bem querer;
6.É um andar solitário entre a gente;
7.É nunca contentar-se de contente;
8. É um cuidar que ganha em se perder.


TERCETOS


9.É querer estar preso por vontade;
10. É servir a quem vence, o vencedor;
11.É ter com quem nos mata lealdade.

12. Mas como causar pode seu favor
13. Nos corações humanos amizade,
14.Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

Os versos se repartem em enunciados contrários (antitéticos). Essas oposições simetricamente dispostas nos versos, acumulam-se em forma de gradação (clímax), para desembocar na desconcertante interrogação/conclusão do último verso sobre os efeitos do amor. As contradições, por vezes, são aparentes porque o segundo membro do verso funciona como complemento do primeiro, especificando-o e tornando-o ainda mais expressivo, quando confronta duas realidades diversas: uma sensível ("ferida que dói") e uma espiritual, que transcende a primeira ("e não se sente").

 

 

 

CAMÕES ÉPICO

 

 

 

 

 

Os Lusíadas é uma epopéia. Mas o que é uma epopeia? É um poema que narra a história de um herói popular, que pode ser uma pessoa ou um povo. Neste, o poeta descreve todos os feitos e glória do herói. É de origem grega, portanto preserva as tradições da cultura clássica, como uso de versos decassilábicos e sonetos.

 A maior epopéia da língua portuguesa possui dez cantos com 8816 versos decassilábicos, 1102 estrofes e apresenta-se em cinco parte:

Parte 1 – Proposição, onde o poeta apresenta o assunto que vai tratar.

Parte 2 – Invocação, o poeta apela às musas ( ninfas do Tejo e as Tágides) para inspirá-lo

Parte 3 – Dedicatória, Camões oferece seu poema a El-rei D. Sebastião

Parte 4 – Narração , maior parte do poema, que vai do meado do canto I ao meado do epílogo.

Parte 5 - Epílogo, o final do poema, onde Camões mostra-se arrependido de ter cantado sua pátria. Neste trecho o poeta vê Portugal cheio de pessoas inescrupulosas e más.

 

 

A linguagem camoniana sofre influência de Virgílio, poeta romano, autor da epopeia Eneida, é riquíssima, elegante aos moldes dos clássicos. Ele faz uso desta para introduzir aspectos novos que diferenciaram sua obra das epopeias clássicas como as de Homero e Virgílio, como o uso de um fato recente para centralizar as ações heróicas: a viagem de Vasco da Gama, o navegador que dobrou o cabo das Tormentas, hoje da Boa Esperança. Outro aspecto é fazer uso de figuras mitológicas como Vênus, Júpiter, Baco e Netuno para interferir nos bons e maus momentos da viagem de Vasco da Gama.

O nome Os Lusíadas significa os lusitanos, portanto o autor descreve as glórias do povo lusitano, ou português, embora ao ler o poema, o leitor tem a forte impressão que o herói é o navegador Vasco da Gama, aquele que dobrou pela primeira vez o cabo da Boa Esperança.

A narração, que corresponde a parte IV do poema, vai do canto I ao canto X, até o verso 144, como se vê quase que a totalidade do poema. Nos últimos versos, de 145 a 156 o autor mostra-se muito mais barroco que renascentista, mostra-se atormentado, decepcionado e arrependido e diz que sua musa, que é sua pátria, não merece mais ser cantada.

 

Os episódios mais importantes:

o    A Morte de Inês de Castro

o    O Velho do Restelo

o    O Gigante Adamastor

o    A Ilha dos Amores

·         Inês de Castro e a Ilha dos Amores são episódios com características líricas dentro do épico.

 

 

 

 

 

INÊS DE CASTRO

 

 

 

 

No episódio de Inês de Castro (o Canto III de Os Lusíadas) é relatado o assassinato de Inês de Castro, em 1355, pelos ministros do rei D. Afonso IV de Borgonha, pai de D. Pedro, seu amante. É narrado, em sua maior parte, por Vasco da Gama, que conta a história de Portugal ao rei de Melinde. Achamos um belo momento do poema, pois é um episódio histórico e lírico: por trás da voz do narrador, e da espanhola Inês de Castro, é possível perceber a voz e a expressão pessoal do poeta.
Numa grande parte do poema, Vasco da Gama, herói da história, conta ao rei de Melinde a história de Portugal. Entre os acontecimentos notáveis do passado português, o capitão conta no relato os eventos que envolveram Inês de Castro, sendo um dos mais belos episódios do poema. O trágico conto de amor, é a história daquela linda mulher, “estavas, linda Inês, posta em sossego, de teus anos colhendo doce fruito”. Inês de Castro, da importantíssima família castelhana Castro, veio a Portugal como dama de companhia da princesa Constança, noiva de D. Pedro, 

herdeiro do rei D. Afonso IV. O príncipe apaixonou-se loucamente pela moça, de quem teve filhos ainda em vida da princesa, sua esposa.

A ligação entre o príncipe e sua amante não foi bem vista pelo rei, que temia fosse seu filho envolvido com membros da família do pai de Inês de Castro. O crime causou um longo conflito entre o príncipe e o pai. E antes de sua morte, Inês suplicou ao rei desesperadamente, como é afirmado no poema:“ Ó tu, que tens de humano o gesto e o peito( Se de humano é matar uma donzela, fraca e sem força, só por ter sujeito o coração a quem soube vence-la), a estas criancinhas tem respeito, pois o não tens à morte escura dela;mova-te a piedade sua e minha, pois te não move a culpa que não tinha”. Depois que se tornou rei, D. Pedro ordenou que desenterrasse o cadáver, para que Inês fosse coroada como rainha. Como é afirmado por Camões"(...) Aconteceu da mísera e mesquinha que despois de ser morta foi rainha".

 

 

 

 

 

 

Epsódio Lírico em "Os Lusíadas"

Epsódio lírico da obra "Os Lusíadas" de Camões.

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Exercícios sobre o Classicismo

1) (Fuvest) - "Já vai andando a récua dos homens de Arganil, acompanham-nos até fora da vila as infelizes, que vão clamando, qual em cabelo, Ó doce e amado esposo, e outra protestando, Ó filho, a quem eu tinha só para refrigério e doce amparo desta cansada já velhice minha, não se acabavam as lamentações, tanto que os montes de mais perto respondiam, quase movidos de alta piedade (...)".

(J. SARAMAGO, 'Memorial do convento')

Em muitas passagens do trecho transcrito, o narrador cita textualmente palavras de um episódio de Os Lusíadas, visando a criticar o mesmo aspecto da vida de Portugal que Camões, nesse episódio, já criticava. O episódio camoniano citado e o aspecto criticado são, respectivamente,

a) O Velho do Restelo; a posição subalterna da mulher na sociedade tradicional portuguesa.

b) Aljubarrota; a sangria populacional provocada pelos empreendimentos coloniais portugueses.

c) Aljubarrota; o abandono dos idosos decorrente dos empreendimentos bélicos, marítimos e suntuários.

d) O Velho do Restelo; o sofrimento popular decorrente dos empreendimentos dos nobres.

 e) Inês de Castro; o sofrimento feminino causado pelas perseguições da Inquisição.

 

2)  (Fuvest) - "Amor é um fogo que arde sem se ver,

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente,

É dor que desatina sem doer."

De poeta muito conhecido, está é a primeira estrofe de um poema que parece comprazer-se com o paradoxo, enfeixando sensações contraditórias do sentimento humano, se examinadas sob o prisma da razão.

Indique, na relação a seguir, o nome do autor.

a) Bocage.

b) Camilo Pessanha.

c) Gil Vicente.

d) Luís de Camões.

 e) Manuel Bandeira.

 

3) (Uelondrina) - A chamada atividade literária das primeiras décadas de nossa formação histórica caracterizou-se por seu cunho pragmático estrito, seja a circunscrita ao parâmetro jesuítico, seja a decorrente de viagens de reconhecimento e informação da terra.

São representantes dos dois tipos de atividade literária referidos no excerto acima:

a) Gregório de Matos e Cláudio Manuel da Costa.

b) Antônio Vieira e Tomás Antônio Gonzaga.

c) José de Anchieta e Gabriel Soares de Sousa.

d) Bento Teixeira e Gonçalves de Magalhães.

e) Basílio da Gama e Gonçalves Dias.

 

4) (Mackenzie) - O tom pessimista apresentado por Camões no epílogo de "Os Lusíadas" aparece em outro momento do poema.

Isso acontece no episódio:

a) do Gigante Adamastor.

b) do Velho do Restelo.

 c) de Inês de Castro.

d) dos Doze de Inglaterra.

e) do Concílio dos Deuses.

 

5) (Uelondrina) - À curiosidade geográfica e humana e ao desejo de conquista e domínio corresponde, inicialmente, o deslumbramento diante da paisagem exótica e exuberante da terra recém-descoberta, testemunhado pelos cronistas portugueses

a) Gonçalves de Magalhães e José de Anchieta.

b) Pero de Magalhães Gândavo e Gabriel Soares de Sousa.

 c) Botelho de Oliveira e José de Anchieta.

d) Gabriel Soares de Sousa e Gonçalves de Magalhães.

e) Botelho de Oliveira e Pero de Magalhães Gândavo.

 

6) (Fuvest) - Na LÍRICA de Camões,

a) o metro usado para a composição dos sonetos é a redondilha maior.

b) encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos.

c) cantar a Pátria é o centro das preocupações.

d) encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX. e) a Mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada de espiritualidade.

 

7) (Mackenzie) - Assinale a alternativa INCORRETA.

a) Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a tradição medieval e textos, para teatro, com clara intenção catequista.

b) A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha-se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva.

c) A literatura seiscentista reflete um dualismo: o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão.

d) O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações.

e) O Conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o Cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista.

 

 

 

 

 

                     

 

  

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